Dez dias sem você

DOI: 10.69849/livrosft/lu10202605082215

Autora: Luciene Lopes dos Santos¹

Dez dias sem você

O verde que sai do mar e da mata
É o verde que me enche de esperança
De dias felizes, de novos amigos
De comida boa, de paz e risadas

O canto dos pássaros ao amanhecer
As diversas atividades propostas
Dez dias intensos! E a esperança?
Ah, a esperança...

Do vermelho que corre pelas águas
Das brigas e das risadas que agora são outras
Mas a lei do amor impera e a esperança
Ah, a esperança…

O poema Dez dias sem você constrói uma narrativa sensível sobre ausência, transformação emocional e permanência da esperança diante das mudanças da vida. Em poucos versos, o eu lírico apresenta imagens da natureza, das relações humanas e dos sentimentos contraditórios que surgem quando alguém importante deixa um espaço vazio. O texto é marcado por uma linguagem simples, porém profundamente simbólica, capaz de despertar identificação imediata no leitor.

Logo nos primeiros versos, o poema apresenta uma atmosfera de renovação e acolhimento:

“O verde que sai do mar e da mata
É o verde que me enche de esperança”

A cor verde aparece como símbolo central. Tradicionalmente associada à vida, ao recomeço e à esperança, ela nasce tanto do mar quanto da mata, dois elementos naturais que representam movimento e continuidade. O eu lírico encontra nesses cenários uma força emocional que ameniza a ausência sugerida no título. O verde não é apenas uma cor: é um estado de espírito, uma tentativa de reconstrução interior.

Em seguida, o poema amplia a experiência humana por meio de pequenas alegrias cotidianas:

“De dias felizes, de novos amigos
De comida boa, de paz e risadas”

Esses versos revelam que, mesmo diante da falta de alguém, a vida continua oferecendo encontros, afeto e momentos de felicidade. Há uma valorização da simplicidade: a amizade, a convivência, o alimento compartilhado e o riso surgem como elementos de cura emocional. O poema mostra que a esperança não nasce apenas de grandes acontecimentos, mas também das experiências comuns que sustentam a existência.

A segunda estrofe introduz um tom mais reflexivo e intenso:

“O canto dos pássaros ao amanhecer
As diversas atividades propostas
Dez dias intensos! E a esperança?
Ah, a esperança...”

Aqui, o cotidiano permanece ativo e cheio de movimento, mas surge uma pergunta importante: “E a esperança?”. Essa interrupção cria um momento de introspecção. O uso da repetição — “Ah, a esperança...” — demonstra que esse sentimento é persistente, embora também pareça frágil e constantemente questionado. A esperança não desaparece, mas precisa ser reafirmada o tempo todo.

Na última estrofe, o poema ganha profundidade emocional ao introduzir a imagem do vermelho:

“Do vermelho que corre pelas águas
Das brigas e das risadas que agora são outras”

Se o verde simboliza renovação, o vermelho pode representar dor, paixão, intensidade emocional ou até conflitos. As “brigas e risadas” mostram que as relações humanas são complexas e mutáveis. O verso “que agora são outras” indica transformação: as experiências continuam existindo, mas já não são as mesmas após a ausência da pessoa mencionada no título.

Mesmo assim, o poema termina reafirmando uma mensagem essencial:

“Mas a lei do amor impera e a esperança
Ah, a esperança…”

O amor aparece como força superior aos conflitos e às mudanças. A expressão “lei do amor” sugere algo universal, permanente e inevitável. Apesar das dores, das perdas e das transformações, o poema conclui que o amor e a esperança permanecem como fundamentos da experiência humana.

A importância do poema nos dias de hoje

Em tempos marcados por relações rápidas, distanciamentos emocionais e constantes mudanças sociais, Dez dias sem você torna-se especialmente relevante. O poema fala sobre ausência sem recorrer ao desespero absoluto; ao contrário, mostra a capacidade humana de continuar vivendo, criando vínculos e encontrando beleza mesmo em meio à saudade.

Além disso, a obra valoriza a conexão com a natureza e com os pequenos momentos cotidianos, algo frequentemente esquecido na correria contemporânea. O canto dos pássaros, o verde da mata, as risadas e os encontros funcionam como lembretes de que a vida continua oferecendo possibilidades de renovação emocional.

Outro aspecto importante é a maneira como o poema trata a esperança. Ela não surge como ingenuidade, mas como resistência. Mesmo diante das dores e conflitos, o eu lírico insiste em manter viva a esperança porque compreende que ela é necessária para seguir em frente.

Assim, Dez dias sem você é um poema sobre ausência, mas também sobre permanência: a permanência do amor, da memória, das experiências compartilhadas e da capacidade humana de recomeçar. Sua delicadeza emocional faz dele um texto atual, humano e profundamente sensível.

¹Graduada em Turismo – Universidade Candido Mendes e Pós-graduada em História da Cidade do Rio de Janeiro – Faculdade IPPEO e Tecnologias e Metodologias para Educação a Distância – Universidade Veiga de Almeida. Autora do Livro Meus Poemas.

Referências Bibliográficas:

SANTOS, L. L. Meus Poemas. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. da Autora, 2026.
BARTHES, Roland. O prazer do texto. São Paulo: Perspectiva, 2015. 
ECO, Umberto. A interpretação do texto literário. São Paulo: Perspectiva, 2010.  

CAPÍTULO 5